Zelo Doutrinário

Atualizado: Mar 1

Sob os imperativos da lógica e ante a evidência dos fatos, o Espiritismo vem amparando, celeremente, um progressivo número de almas a se entrincheirarem em seus abençoados campos de fartas consolações.


Apresta-se o Paracleto em espargir as luzes do Cristianismo Redivivo por toda a Terra, acolhendo corações angustiados e inseguros, aflitos e descrentes, atemorizados nos sítios de resgates das experiências humanas.


É a ação norteadora do tempo, que em nada se relaciona com as campanhas de proselitismo que o mundo sempre conheceu nos diversificados domínios das religiões.

Com isto, não padece dúvidas, cresce a responsabilidade dos espíritas, a fim de que uma eficiente vulgarização dos ensinos de Jesus alcance, proveitosamente, os trabalhadores da hora undécima.


Há grande júbilo em observar-se as Instituições Espíritas ativas, equilibradas e seguras em suas aspirações, revivendo a Boa Nova nos dias conturbados de nosso orbe e oferecendo subsídios doutrinários ao raciocínio da fé, prodigalizando, assim, a legítima assistência espiritual.


Quantas apreensões, porém, nos conturbam as esperanças, quando verificamos a proliferação, nos quadros estatísticos, de agrupamentos com simples rotulagem espírita congregando almas inexperientes e desavisadas, mas que, fundamentalmente, se encontram distanciados do verdadeiro sentido da Doutrina!...


A superficialidade com que caminham, sem estudo nem bom senso, mas nos arrebatamentos dos sentidos, pelos quadros da fenomenologia mediúnica desfigura a missão essencial que o Espiritismo traz em nossos dias, com inequívocos prejuízos para a posteridade.


A multiplicação dos núcleos espíritas é de subida importância para o movimento de redenção de almas, desde que se não descuide da vigilância e do equilíbrio, acautelando-se, as Instituições mais antigas e as mais recentes, na preservação do conteúdo inalienável do Consolador Prometido como obra da verdade para a luz no mundo.

Reunião espírita não é festa para os olhos ávidos por fenômenos triviais. É encontro de corações sedentos de paz e entendimento da vida, procurando despertar para a eloquente percepção espiritual com Jesus.

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Aqueles que detêm os encargos diretivos das Instituições Espíritas não podem se descurar do manuseio das obras doutrinárias para o estudo renovador.

As fontes basilares do Espiritismo permanecem inesgotáveis em alertamentos e informações, ensino e condução, conclamando os espíritas, de fato, à leitura e releitura dos textos codificados pelo insigne Professor Rivail, evitando-se distorções prejudiciais para nossos pósteros.

Somente assim tomaremos posição consciente no movimento espírita, não nos permitindo incursionar por desvios lamentáveis ou falir em ciladas das sombras tão próximas de nosso passado.

A excelência da Codificação Kardequiana não nos deixa entrever para os núcleos espíritas outro ambiente senão aquele onde a mensagem de Jesus seja expressa em espírito e verdade, longe de convencionalismos perturbadores, congregando corações na mesma fidelidade amorosa ao Senhor.

Os encontros doutrinários, no Espiritismo, devem rememorar as assembleias singelas e devotas do Cristianismo nascente, evitando-se os estímulos aos sentidos materiais para que a vigília espiritual se fortaleça, proporcionando à mente raciocínios de conforto e segurança que a Doutrina Espírita detém em seus celeiros de consolações.

Zelo doutrinário não traduz estagnações rotineiras no tempo nem significa reação sistemática aos avanços do progresso em suas múltiplas facetas, acrisolando o movimento espírita sob causticantes arremetidas de personalismos e vaidades. Importa, antes de tudo, considerar-se o apuro na divulgação do conteúdo espírita para que a mensagem de conforto e soerguimento alcance, de modo substancial, os que perambulam pelo mundo, aflitos e sobrecarregados.

Às casas espíritas acorrem inumeráveis corações em desespero e padecimento, desejosos de sorver a linfa preciosa da paz, que reflete segurança, e do esclarecimento, que representa bem-estar. Tão logo experimentam os primeiros lenitivos, reabastecendo-se para a caminhada, engajam-se no agrupamento fraterno, mas passam a recapitular experiências pretéritas promovendo, ante a desatenção dos companheiros, enxertias descabidas e perigosas, mutilando ou desfigurando o corpo doutrinário tão inspiradamente codificado pelo bom senso de Kardec.

Zelar pela Doutrina será propugnar pela íntegra divulgação do Paracleto, conscientizando almas em torno de seu abençoado mister, como aquela indefectível mensagem do Céu em favor do mundo.

Preservar a pureza doutrinária é dever de todos quantos, conscientemente, perlustram o acervo de ensinamentos que identificam o cerne da Codificação.

Defender a integridade da Terceira Revelação será impedir as incrustações aparentemente inofensivas, mas, que poderão, de futuro, deteriorar, irreversivelmente, a missão do Consolador Prometido junto aos trilhos humanos.

Precaução na palavra que ensina, desvelo na mensagem que elucida, apuro no livro que divulga, diligência na reunião que conforta, responsabilidade nos testemunhos de cada hora, são facetas da identificação espírita.

Espírita sincero será, em verdade, o discípulo vigilante divulgando, com clareza de intenções e segurança no dever, os ensinos de Jesus pelo bem de todos.

Mas, espírita cauteloso será todo aquele obreiro do Bem dilatando fé e esperança junto aos carentes de luz do caminho, alimentando corações nos tesouros espirituais que o Pai tem reservado para seus filhos na vida e buscando, sobretudo, a transformação moral que lhe norteará o Espírito para os cimos do amor.


Autor: Guillon Ribeiro (Espírito)

Médium: Júlio Cezar Grandi Ribeiro

Fonte: Reformador de Julho/1977, p.215.

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