Ridículo e silêncio


Há muitas espécies de provação para a dignidade pessoal e numerosos gêneros de defesa.


Há feridas que atingem a honorabilidade de família, golpes que vibram sobre a realização individual, calúnias que envolvem o nome, acusações gratuitas, comentários desairosos à reputação, análises mentirosas de situações respeitáveis e escândalos do ridículo.


Na maioria das experiências dessa natureza, o ruído é justo e a retificação adequada.


Nas contrariedades familiares, é fácil estabelecer programas novos e corrigir normas de conduta.


Na perseguição ao trabalho honroso, basta recorrer aos frutos substanciosos e ricos da obra realizada.


Na calúnia, socorre-se o homem reto do esclarecimento natural.


Nas acusações gratuitas, a verdade simples responde pelos acusados aos perseguidores cruéis.


Nos falatórios da rua, a realidade modifica a opinião popular.


No jogo das aparências, com que se procura envenenar as situações dignas, não é difícil demonstrar a nobreza dos fatos, focalizando outros prismas.


Para isso, há um exercício de servidores da justiça do mundo que, com rapidez ou lentidão, atende a reclamações e mobiliza providências compatíveis com os acontecimentos mais estranhos.


Mas, autoridade alguma da Terra garante facilidades à defesa contra os escândalos do ridículo.


Para suportar, dignamente, esse gênero de provação somente Jesus oferece o padrão necessário.


A reação não serve, o protesto complica, transforma-se a reclamação em escândalo novo, converte-se o rumor em incêndio de consequências imprevisíveis.


A criatura bem intencionada, sob a perseguição do ridículo, não tem outro recurso senão recordar o Cristo, incompreendido pelas autoridades de seu tempo, ironizado pelos ignorantes e injuriado pela multidão, compreendendo que todo homem responderá pelos seus atos a Deus no tribunal do foro íntimo, e que a mais alta defesa contra o sarcasmo do mundo é o silêncio da perfeita confiança no Divino Poder.


Autor: Emmanuel (Espírito)

Médium: Francisco Cândido Xavier

Livro: Coletânea do Além. Lição nº 36. Página 89

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