Não estás só

Não te vejas e nem te sintas só


Mergulhado numa imensa arena de lutas materiais, o homem se vê sitiado por adversários de todos os lados.


As enfermidades cruéis e dilaceradoras esmagaram suas derradeiras esperanças.


A escassez de recursos e a constante ameaça de pobreza material o vergasta sem clemência.


A morte, impondo o luto, lhe faz sofrer a alma sensível.


A incerteza sobre o amanhã, que não consegue prever ante as mudanças repentinas, o faz refém da ansiedade devoradora.


Não obstante utilitário de uma tecnologia de ponta, essa comodidade que o elevou às estrelas e o fez descer às fossas oceânicas mais profundas não lograram ofertar-lhe serenidade e paz, permanecendo sempre inquieto no febril jogo da vida.


Pode medir o tempo com sofisticados equipamentos, mas não pode deter as horas que lhe alteram por completo as disposições e o empurram para a decadência orgânica inexorável.


Em desespero por uma juventude eterna, foge para aditivos químicos e cirurgias estéticas, na tentativa alucinada de corrigir no veículo carnal as marcas dos anos vividos.


Dar-se conta que esse ou aquele ponto do rosto pode ser alterado pela invasão do bisturi, mas não tem como reverter a certidão de nascimento.


O berço se lhe afigura etapa superada e o túmulo aduana que se recusa a atravessar, conferindo perante a rigorosa fiscalização da morte e da consciência os tesouros que ajuntou no transcurso da existência física.


Constata, em aflição íntima indescritível, que possui nas mãos apenas lauréis terrestres, moeda podre, bens transitórios que o mundo reclama de volta e os repassa a terceiros. Simplesmente vencido pela argumentação da vida, percebe tardiamente que esqueceu de viver.


Olvidou percorrer os campos e sentir o perfume das flores, tomar banho de chuva em tardes de verão, escutar num final de tarde a canção dolente das ondas do mar quebrando na praia vazia, emocionar-se com um poente de fogo, em que o sol decadente parece incendiar o horizonte de rosa.


Viveu para TER, esquecido de SER.


Visitado pelo crepúsculo da existência, tudo agora se lhe afigura ilusão e fantasia, medo do desconhecido e incertezas mil.


Já não é mais possível o recomeço, raciocina em mudo desencanto consigo mesmo.


Destituído de uma crença libertadora, sufocado pelo materialismo que apenas ajunta sem ter, fanatizado e manipulado por dogmas ilógicos e baldos de comprovação científica, sente a navalha do tempo descendo sobre o corpo alquebrado e fragiliza-se mais ainda.


Tivesse dedicado algum tempo diário ao cultivo de uma fé lúcida, privado da intimidade de livros edificantes, conhecido o que temia, ancorado seu barco intelectual nas praias vastíssimas da filosofia de Jesus e dela se valido para refazer conceitos e posturas, diferente seria esse final.


A tragédia humana teria se convertido em comédia. A viagem pelo corpo teria sido rica experiência iluminativa.


A reencarnação se lhe afiguraria como curso avançado de aprendizado espiritual, onde a família e o mundo teriam sido excepcionais salas de aula, ministrando ensinamentos de subido valor para a vida imortal.


A morte seria esvaziada de seu conteúdo doloroso, se constituindo em simples portal a abrir-se para o infinito, descortinando um novo mundo além das cinzas frias do mausoléu.


Dores seriam lições.


Desilusões, retorno à verdade.


Perdas materiais, ganhos espirituais.


Triunfos mundanos, apenas escalada aos montes da fantasia.


E Deus não teria sido apenas uma palavra distante, a ser pronunciada nos momentos de dor e aflição. Seria a constatação real e lúcida de que todo efeito tem uma causa e se a causa é lógica, inteligente, essa matriz tem que ser de igual teor.


Não te vejas nem te sintas só nestas inquietantes interrogações existenciais. Milhões estão contigo em pé de igualdade. Se ainda dispões de tempo e lucidez, matrícula-te desde hoje na divina ciência do auto conhecimento.


Descobre quem és.


Investiga a ti mesmo.


Elucida teus medos e devassa tuas fragilidades.


Tem coragem de exorcizar teus demônios íntimos, a responderem pelos nomes de presunção, arrogância, vaidade, egoísmo, orgulho, indiferença.


Elege o amor e a solidariedade como companhias diárias.


Sai de teu castelo de comodidades e visita os guetos de dor que te cercam.


Oferta simples sorriso à criança triste e ampara com tuas mãos o velhinho trôpego.


Filho da luz, redime-te na caridade!


És herdeiro de Deus e todo o universo te pertence.


Vive! Ama! Perdoa!


E terás um tesouro em teu céu íntimo.


Autora: Marta (Espírito)

Médium: Marcel Cadidé Mariano

Centro Espírita Caminho da Redenção/Mansão do Caminho

07.05.2020

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