Jesus frente ao suicídio


Jesus, porém, ouvindo isso, respondeu: Não necessitam de médico os sãos, mas sim os enfermos. Ide, pois, e aprendei o que significa: Misericórdia quero, e não sacrifícios. Porque eu não vim chamar justos, mas pecadores.


Disse-lhe Jesus: Deixa de me tocar, porque ainda não subi ao Pai; mas vai a meus irmãos e dize-lhes que eu subo para meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus.

Alguns acreditam estar sozinhos nas horas amargas de suas vidas. Pensam que ninguém os ama e cuida deles. Mas Jesus, o Ser Angélico e Perfeito que recebeu do Pai Celeste a missão de governar a Terra está sempre presente, através de Seus prepostos, conhecidos por “anjos guardiões”, “espíritos protetores” ou uma infinidade de outros nomes. Ele chegou a afirmar que nenhuma de suas ovelhas se perderia.

O espírito Maria Dolores, pelas abençoadas mãos de Chico Xavier, revela esse zelo ao amigo que o traiu. Então vejamos:

“Senhor, onde estivestes? Mas Jesus Respondeu:

Não Maria, não fui ainda ao alto. Nem me elevei sequer um palmo a luz do firmamento. Quem ama não consegue achar o céu de um salto. Ao invés de subir aos altos esplendores, desci, mas desci muito aos reinos inferiores. Despertando no túmulo escutei os gritos de aflição de alguém que muito amei, e que muito amo ainda. Embora visse além a luz sempre mais linda, sentia nesse alguém um amado companheiro, em crises de tristeza e de loucura. Fui à sombra abismal para a grande procura. E ao reencontra-lo, amargurado e louco, a ponto de não mais me conhecer, demorei-me a afaga-lo, e pouco a pouco, consegui que ele enfim, pudesse adormecer.

Senhor? Interrogou Madalena. Quem é o amigo que te fez descer antes de procurar a Luz do Pai?

Mas Jesus replicou em voz clara e serena:

Maria, um amigo não esquece a dor de outro amigo que cai. Antes de me altear a celeste alegria, ao sol do mesmo amor a Deus em que te enlevas, vali-me após a cruz, das grandes horas mudas, e desci para as trevas, a fim de aliviar a imensa dor de Judas”.


HOJE SOBREVIVI À DESESPERANÇA


A desesperança pode incitar uma pessoa a pôr fim a sua existência corporal, por supor não lhe ser mais possível suportar o sofrimento físico e/ou moral, levando-a a concluir que só a morte física poderá liberta-la e alivia-la.

Nessa hora é indispensável buscar o amparo da família, dos amigos, dos templos religiosos ou mesmo de profissionais habilitados, assim logrando forças para enfrentar e superar a sua dor.

Esse movimento de buscar ajuda permite perceber que o socorro de que se precisa está a caminho, que não se está sozinho, que sempre haverá um cireneu para ajudá-lo a carregar a sua cruz.

Daí ser fundamental buscar ajuda, mesmo quando se é incompreendido entre os mais próximos, insistindo nessa procura até encontrar o colo de que necessita. Cada dia é um desafio a ser vencido.

Centrar no hoje as suas forças é atitude de sabedoria para a superação das dificuldades, pois o amanhã trará novos recursos para o enfrentamento dos problemas desse novo dia.

A estratégia é vencer a desesperança de hoje.

Para isso, é necessário algumas vezes realizar mudanças internas importantes nos hábitos, relacionamentos e/ou atividades profissionais.

Outra tática que poderá ajudar, é ocupar-se em ser útil a pessoas que vivenciam dores maiores, pois, servindo, pode-se esquecer ou pelo menos amenizar a própria dor.


HOMEM - O SER TRINO


Há uma questão importante a ponderar na hora do testemunho: é o modo de considerar a vida. Nesse sentido há duas visões conflitantes e antagônicas:

a visão materialista, que preconiza a extinção total do ser com a morte do corpo. Segundo essa abordagem, após o falecimento a criatura deixa de existir e nenhuma consequência lhe advirá ao ato do suicídio. Por essa abordagem, não vale a pena continuar sofrendo uma dor sem solução, sendo a dissolução do indivíduo no nada, uma solução;

a visão espirita que revela a sobrevivência do ser pensante ao aniquilamento da matéria, decorrendo daí um estado venturoso ou desditoso conforme tenha vivenciado ou não as leis divinas durante a sua vilegiatura carnal.

Para o Espiritismo o homem é o resultante da união do espírito ou alma (o ser inteligente), do corpo material (visível e palpável, porem sujeito ao desgaste e a morte) e do corpo fluídico, também denominado perispírito (corpo espiritual modelador do corpo material).

As comunicações dos denominados “mortos” em todas as épocas e locais do planeta, foram unanimes em sinalizar a continuação infinita da vida após a transição pela morte do corpo. Eles vieram demonstrar que ela apenas desveste a criatura desse envoltório grosseiro, permanecendo com o corpo sutil - o perispírito, que reproduz o estado ditoso ou inditoso da alma, conforme as ações praticadas durante sua existência.

Há que se salientar, que não sendo o homem o criador da vida, não tem ele o direito de dispor dela: “Só a Deus assiste esse direito” [5].

O ESPIRITISMO É O MAIOR ANTÍDOTO AO AUTOCÍDIO


“Ora, o verdadeiro espírita vê as coisas deste mundo de um ponto de vista tão elevado; elas lhe parecem tão pequenas, tão mesquinhas, a par do futuro que o aguarda; a vida se lhe mostra tão curta, tão fugaz, que, aos seus olhos, as tribulações não passam de incidentes desagradáveis, no curso de uma viagem. O que, em outro, produziria violenta emoção, mediocremente o afeta. Demais, ele sabe que as amarguras da vida são provas úteis ao seu adiantamento, se as sofrer sem murmurar, porque será recompensado na medida da coragem com que as houver suportado. Suas convicções lhe dão, assim, uma resignação que o preserva do desespero e, por conseguinte, de uma causa permanente de loucura e suicídio. Conhece também, pelo espetáculo que as comunicações com os Espíritos lhe proporcionam, qual a sorte dos que voluntariamente abreviam seus dias e esse quadro é bem de molde a fazê-lo refletir, tanto que a cifra muito considerável já ascende o número dos que foram detidos em meio desse declive funesto. Este é um dos resultados do Espiritismo. Riam quanto queiram os incrédulos. Desejo-lhes as consolações que ele prodigaliza a todos os que se hão dado ao trabalho de lhe sondar as misteriosas profundezas” [6].

Assim, a Doutrina Espírita, revelando a verdade sobre a razão da existência corporal e o destino nobre e feliz do homem após suportar suas provas e expiações, arma o homem da esperança [7] em um futuro melhor, se constituindo no “mais terrível adversário do materialismo” [8].


A CONSEQUÊNCIA DIRETA DO AUTOCÍDIO É A DECEPÇÃO


O impacto decorrente do suicídio repercute sobre o corpo espiritual impressionando dolorosamente a alma. Esse efeito é absolutamente particular a cada gênero de suicídio e pessoa, variando conforme as circunstâncias, modalidades, agravantes e atenuantes, o que só as Leis Cósmicas da Vida conseguem aferir.

“Muito diversas são as consequências do suicídio [9]”, explicaram à Allan Kardec os Benfeitores da Humanidade. Há, disseram, “uma consequência a que o suicida não pode escapar; é o desapontamento” [10].

“Alguns expiam a falta imediatamente, outros em nova existência, que será pior do que aquela cujo curso interromperam [11].”

“A observação, realmente, mostra que os efeitos do suicídio não são idênticos. Alguns há, porém, comuns a todos os casos de morte violenta e que são a consequência da interrupção brusca da vida. Há, primeiro, a persistência mais prolongada e tenaz do laço que une o Espírito ao corpo, por estar quase sempre esse laço na plenitude da sua força no momento em que é partido, ao passo que, no caso de morte natural, ele se enfraquece gradualmente e muitas vezes se desfaz antes que a vida se haja extinguido completamente” [12].

O sofrimento decorrente do autocídio e/ou de qualquer outro ato contrário às Divinas Leis que regem o Universo embora de longo curso não é permanente, sendo superado tão logo haja a reparação do dano causado a si mesmo ou a outrem, pois Deus, pai amoroso, infinitamente justo e misericordioso, criou o ser espiritual dotando-o da imortalidade e destinando-o à felicidade e à perfeição.

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