Escravidão e Liberdade

Em quase todos os povos da Terra se verificou a existência da escravidão.

Seja ela do homem sobre outro homem, sobre a mulher, inimigos vencidos em batalhas, de alguma forma a civilização esteve destacada pela sujeição de um ser ao outro.

Valeu-se da escravidão para construção das grandes pirâmides no Egito, dos jardins da Babilônia, dos templos gregos e de Roma nos seus primórdios.

Esta persistiu até as últimas décadas do século XX, quando uma nação africana foi a última a abolir de sua constituição a prática escravagista.

O Brasil registra em sua história a prática hedionda por quase quatro séculos, ocorrendo especialmente contra a raça negra de origem afro descendente.

Pelourinhos e senzalas, troncos de martírios e capitães do mato são tristes páginas de nossa história, a retratar as lágrimas daqueles que foram arrancados de suas terras de origem e trazidos em imensos navios negreiros para o serviço pesado da lavoura comercial, a despontar em nossa nação, constituindo fase importante de seus ciclos econômicos.

Graças a esses braços vigorosos, a essas lágrimas salgadas e doridas este país se fez celeiro do mundo, arrancando a cada ano safras cada vez maiores.

Mas nada disso pode justificar a exploração do homem sobre outro homem, prática totalmente contrária à lei divina de liberdade, que garante que nenhum espírito pode ou deve ser sujeitado a força a outro ser.

A escravidão, sob qualquer ângulo que se observe, é ato desumano, arbitrário, violando a mencionada lei natural.

Evocando o 13 de maio de 1888, desejamos assinalar o canto triste dos que viram suas vidas arrancadas de seus lares da África querida.

Da saudade atroz que os venceu na travessia oceânica.

Da chibata que lhes arrancou lágrimas sucessivas no tronco doloroso dos gemidos intermináveis.

Reverenciar os que lutaram para emancipar dos grilhões da intolerância milhões de negros cativos do principal direito do ser humano, depois do direito à vida.

Bendizer o sopro de liberdade que paira hoje sobre todos, ainda tisnado por comportamentos desequilibrados, que insistem na dominação de uma raça sobre outra, atendendo seus caprichos e paixões.

E nos posicionamos ao lado dos que combatem pelo esclarecimento e pela educação a moderna escravidão.

Escravos dos vícios.

Cativos das paixões.

Prisioneiros do fanatismo.

Servos alienados da intolerância.

Vassalos inconscientes da violência e da agressividade.

Reféns do medo.

Todos eles são escravos por opção.

Proclamam liberdade, mas deixaram-se escravizar pela pusilanimidade emocional.

Comovida, bendizemos a lei áurea que alforriou milhares de cativos, findando senzalas e inaugurando dia novo na história, evocando o ser mais puro e libertário da história humana.

Jesus Cristo.

Ele veio nos ensinar como romper algemas e correntes íntimas, libertando o espírito do jugo da matéria, senhora de engenho de bilhões de seres, até hoje escravos da visão estreita da vida.

Banido do mundo num madeiro infame, subiu para o Pai de braços abertos, evidenciando Sua plena liberdade espiritual, sujeitando-se tão somente às leis divinas, que veio cumprir com uma conduta reta e um pensamento isento de mácula.

Anotando em ti qualquer sujeição a algo contrário à lei de evolução, tem coragem suficiente de igualmente te alforriar do teu senhor de engenho.

Se desconheces quem seja teu escravista mor, toma de um espelho e descobrirás rapidamente.

Nada podes fazer em relação ao teu ontem, mas podes desde hoje fazer novo futuro.

Rompido os grilhões, avança para teu desiderato.

Ser cativo apenas do amor de Deus e da ética de Jesus.

Autora: Marta (Espírito)

Médium: Marcel Cadidé Mariano

Fonte: Centro Espírita Caminho da Redenção/Mansão do Caminho

Salvador, 13.05.2020

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