Deus comanda a vida

Recordo-me, mãezinha amada, com emoção indescritível, da nossa inolvidável convivência. Eu, pequenina, assustada, e tua segurança era a razão do meu equilíbrio.

Naquela tarde, em especial, chovia muito, e eu temia. Os céus encontravam-se escuros e clareavam-se com os relâmpagos em dança macabra, enquanto, gargalhando, o trovão aplaudia.

Eu fui dominada pelo horror!

Tomaste-me nos teus braços protetores e, com um sorriso suave no teu rosto delicado, apontaste para a tormenta e disseste-me:

— Filhinha, nunca temas os fenômenos que Deus produz na Natureza. Olha a chuva, que parece o pranto das nuvens de que a terra seca e sofrida tem necessidade para reverdecer-se e a vida persistir. É uma tempestade vigorosa, mas tem como finalidade diminuir e limpar a Natureza das cargas excessivas de eletricidade que se chocam, produzem luz e bailado com as gargalhadas do trovão. Observa, é uma festa grandiosa diante dos nossos olhos.

— Tenho medo, mamãe! – Eu exclamei trêmula.

Continuaste sorrindo, e, ante uma explosão que fez tremer a casa, continuaste falando:

— Tudo isto é de Deus, Nosso Pai, que está cuidando dos recursos para a manutenção da nossa vida. Confiemos n’Ele e respeitemos as forças colossais, sabendo que tudo está sob o Seu sublime controle…

Nunca mais temi nos tempos futuros. Aprendi a conviver com as borrascas da Natureza, a fim de bem sofrer as humanas.

Quando voltaste para o Paraíso, eu fiquei a sós. Muitas vezes, estive à borda do desespero e perguntei-me se a tua viagem fora também por Deus programada. Lentamente compreendi que sim, e, sempre que as tormentas me visitaram, eu recorri às nossas lembranças, aos teus ensinamentos, acalmando-me.

Fizeram-se tão naturais essas evocações, que passei a sentir a tua suave presença, e no meu coração sempre houve uma grande segurança que me fala da tua proteção.

Hoje também sou mãe. Mas não posso deixar de chamar-te nestes momentos difíceis ou silenciar as minhas ansiedades para sentir a doce emoção da tua presença.

A Terra está sob ameaça perigosa de um suplício silencioso e destrutivo. Sem luz nem aplauso. Arrebata as vidas e deixa os lares em terrível escuridão, ouvindo-se somente as dores que estrugem com gritaria e saudades que não encontram consolo.

Mãezinha inesquecível!

O mundo está em consumpção, e eu sinto-me pequena como naquele dia, temente e apavorada, sem saber como conduzir-me diante deste estranho monstro que está atormentando todos. A morte impiedosa passeia pelas ruas desertas das cidades, das vilas, dos campos, das metrópoles e passa várias vezes pela porta do meu lar ameaçadoramente.

Que fazer, anjo de Deus? O meu é um silêncio de ansiedade e expectativa.

Ouço, então, a tua dúlcida voz consoladora, que me arranca do desespero:

— Ora e confia. A peste é também de Deus, atendendo à loucura que se instalou no mundo. Tem por finalidade descarregar a psicosfera letal das mentes pervertidas…

Periodicamente, ela visita o planeta, quando o ser humano ultrapassa os limites da conduta voltada para a perversão e a crueldade, a fim de auxiliá-lo a despertar, compreender a própria fragilidade e progredir, facultando a paz que sempre vem depois.

— Oh! mãezinha querida! Compreendo-te, e acalmarei as minhas inquietações, segura de que Deus comanda a vida.

Agradecida e fiel, tua filhinha,

Autora: Amélia Rodrigues (Espírito)

Médium: Divaldo Pereira Franco.

(Psicografada na noite de 22 de abril de 2020, na Mansão do Caminho, em Salvador, Bahia.)

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