Abençoar e compreender

Atualizado: 26 de Jan de 2019


Ressentimento não se constitui tão só do azedume que se nos introduz no espírito, quando a incompreensão nos torna intolerantes, à frente das grandes dificuldades de alguém.


Existem igualmente os pequeninos contratempos do cotidiano que, sem a precisa defesa da vigilância, acabam por transformar-nos o coração em vaso de fel, a expelir germes de obsessão e desequilíbrio, ambientando a enfermidade ou favorecendo a morte.


Analisemos essas diminutas irregularidades que nos será lícito classificar como sendo cargas de sombra íntima:


- o descontentamento à mesa porque a refeição não apresente o prato ideal;


- a impaciência ante a condução retardada;


- a indisposição contra o clima;


- a contrariedade em serviço;


- o constrangimento para desculpar um amigo;


- o mal estar perante um desafeto;


- o melindre desperto, em ouvindo opiniões que se nos mostrem desfavoráveis;


- o desagrado nas compras;


- o desgosto injustificável em família, unicamente pelo motivo deste ou daquele parente não pensar pela nossa cabeça;


- os cuidados exagerados com obstáculos naturais na experiência comum;


- a pressa e a agitação desnecessárias;


- o descontrole ante uma visita problema;


- a exasperação diante de uma tarefa extra-programa;


- o desespero contra as provas inevitáveis que a vida nos oferece a cada um.


Tanto pesa na balança o quilo de chumbo em massa, quanto o quilo de palha nela depositado, de haste em haste.


Meditemos, em torno disso, e reconheceremos que o perdão incondicional deve também alcançar as mínimas circunstâncias que se nos façam adversas.


Em síntese, para que a paz more conosco, assegurando-nos proveito e alegria, nos caminhos do tempo, é forçoso não apenas trabalhar e servir sempre, mas igualmente compreender e abençoar.


Pelo Espírito Emmanuel.

Psicografia de Francisco Cândido Xavier.

Livro: Mãos Unidas. Lição nº 40.

 

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