Pedro e João, espíritas, eram amigos de longa data. Embora Pedro fosse mais ponderado e afeito ao estudo doutrinário, João, por sua vez, era um entusiasta, ardoroso, arrebatado, intenso.

Na saída da casa espirita que frequentavam, sentiam-se regozijados, e enquanto caminhavam em direção a seus lares, um na companhia do outro, a amizade era alimentada. E o papo corria solto.

-Pedro, disse o amigo, recebi no WhatsApp uma mensagem fantástica.

E ante o silêncio do outro, continuou.

– É uma revelação extraordinária: no mundo espiritual o espírito pode engravidar e ter filhos....

Pedro respirou fundo, e falou:

- amigo, precisamos estudar mais a Doutrina Espírita, nos debruçando nas Obras de Allan Kardec. Há muitos Espíritos e escritores encarnados que não possuem a perfeita compreensão da lógica espírita e fantasiam...

- Não, falou rápido João: o Espírito é bastante conhecido e o médium já está famoso.

- Ah, João, recorde que o Cristo já alertou, na parábola do Joio e do Trigo[1], a respeito da ação dos inimigos da Causa, que semeiam ideias falsas capazes de confundir aos desavisados e impedir que se libertem da ignorância. Há escritores, espíritos ou homens, que não possuem luzes suficientes para expor apenas a verdade.

E prosseguiu: - Allan Kardec explica que apenas “os Espíritos chegados ao último grau de perfeição estão isentos de erros; os outros, por melhores que sejam, nem tudo sabem e podem enganar-se[2].

- O Codificador, com sabedoria, acrescenta que não devemos aceitar tudo quanto vem do mundo invisível, sem antes submete-la ao controle da lógica.

- João, João, diz o amigo citando Kardec:

A prática do Espiritismo é cercada de tantas dificuldades, os Espíritos enganadores são tão sabichões, tão astuciosos e, ao mesmo tempo, tão numerosos, que nunca nos armaríamos de precauções suficientes para frustrar seus planos. Importa, pois, rebuscar com o maior cuidado os indícios pelos quais eles podem se trair. Ora, esses indícios estão, ao mesmo tempo, em sua linguagem e nos atos que provocam[3].

Já estavam chegando à residência de João, quando Pedro sugeriu a ele que lesse a síntese das recomendações de Kardec a esse respeito, que se encontram na Revista Espírita de julho de 1860. Disse que ele poderia encontrar esse material na internet, no site da Federação Espírita Brasileira.

Logo após o rápido lanche, buscou imediatamente a página sugerida, encontrando nela valiosa lição e meditou profundamente, tentando assimilar toda a sua abrangência:

“Quando uma lógica é rigorosa[4] como dois e dois são quatro, e as consequências são deduzidas de axiomas[5] evidentes, o bom-senso geral cedo ou tarde faz justiça a todos esses sofismas. Acreditamos que as proposições seguintes têm este caráter:

1o Os Espíritos bons não podem ensinar e inspirar senão o bem; assim, tudo que não é rigorosamente bem não pode vir de um Espírito bom;

2o Os Espíritos esclarecidos e verdadeiramente superiores não podem ensinar coisas absurdas; assim, toda comunicação eivada[6] de erros manifestos ou contrários aos dados mais vulgares da ciência e da observação, só por isso atesta a inferioridade de sua origem;

3o A superioridade de um escrito qualquer está na justeza e na profundidade das ideias, e não na forma material e na redundância do estilo; assim, toda comunicação espírita em que há mais palavras e frases brilhantes do que pensamentos consistentes, não pode provir de um Espírito verdadeiramente superior;

4o A ignorância não pode imitar o verdadeiro saber, nem o mal arremedar[7] o bem de maneira absoluta; assim, todo Espírito que, sob um nome venerado, diz coisas incompatíveis com o título que se atribui, é culpado por fraude;

5o É da essência de um Espírito elevado ligar-se mais ao pensamento do que à forma e à matéria, donde se conclui que a elevação de um Espírito está na razão da elevação das ideias; assim, todo Espírito meticuloso nos detalhes da forma, que prescreve puerilidades[8], numa palavra, que liga importância aos sinais e às coisas materiais, acusa, por isso mesmo, uma pequenez de ideias e não pode ser realmente superior;

6o Um Espírito verdadeiramente superior não pode contradizer-se; assim, se duas comunicações contraditórias forem dadas sob um mesmo nome respeitável, uma delas é necessariamente apócrifa[9]; e se uma for verdadeira, será aquela que em nada desmente a superioridade do Espírito cujo nome a encabeça.

A consequência[10] a tirar destes princípios é que, fora das questões morais, não se deve acolher o que vem dos Espíritos senão com reservas e, em todos os casos, jamais aceitá-las sem exame. Daí decorre a necessidade de se ter a maior circunspeção[11] na publicação dos escritos emanados dessa fonte, sobretudo quando, pela estranheza das doutrinas que encerram, ou pela incoerência das ideias, podem prestar-se ao ridículo. É preciso desconfiar do pendor[12] de certos Espíritos para as ideias sistemáticas, e do amor-próprio que buscam espalhar. Assim, é sobretudo nas teorias científicas que precisa haver extrema prudência, guardando-se de dar precipitadamente como verdades sistemas por vezes mais sedutores que reais, e que, cedo ou tarde, podem receber um desmentido oficial. Que sejam apresentados como probabilidades, se forem lógicos, e como podendo servir de base para observações ulteriores, admite-se; mas seria imprudência tomá-los prematuramente como artigos de fé. Diz um provérbio: Nada é mais perigoso do que um amigo imprudente. Ora, é o caso dos que, no Espiritismo, se deixam levar por um zelo mais ardente que refletido[13].

Após cuidadosa leitura e profunda meditação, João se acercou da ampla janela de seu quarto, se pôs a respirar profundamente a longos haustos, olhou na direção do infinito e em pensamento rendeu graças ao Criador por lhe ter permitido conhecer o Espiritismo.

[1] Propôs-lhes outra parábola, dizendo: O reino dos céus é semelhante ao homem que semeou boa semente no seu campo; mas, enquanto os homens dormiam, veio o inimigo dele, semeou joio no meio do trigo, e retirou-se. Quando, porém, a erva cresceu e começou a espigar, então apareceu também o joio. Chegaram, pois, os servos do proprietário, e disseram-lhe: Senhor, não semeaste no teu campo boa semente? Donde, pois, vem o joio? Respondeu-lhes: Algum inimigo é quem fez isso. E os servos lhe disseram: Queres, pois, que vamos arrancá-lo? Ele, porém, disse: Não; para que, ao colher o joio, não arranqueis com ele também o trigo. Deixai crescer ambos juntos até a ceifa; e, por ocasião da ceifa, direi aos ceifeiros: Ajuntai primeiro o joio, e atai-o em molhos para o queimar; o trigo, porém, recolhei-o no meu celeiro. (Mateus, 13, 2 a 30)


[2] Revista Espírita, julho de 1860. Edição FEB


[3] Idem, idem


[4] Clara; precisa


[5] Ditado; provérbio


[6] Contaminada


[7] Imitar


[8] Infantilidade; criancice


[9] Inautêntica; falsa


[10] Ensinamento


[11] Cautela


[12] Tendência


[13] Revista Espírita, julho de 1860. Edição FEB

Atualizado: 1 de Ago de 2019


Jesus, porém, ouvindo isso, respondeu: Não necessitam de médico os sãos, mas sim os enfermos. Ide, pois, e aprendei o que significa: Misericórdia quero, e não sacrifícios. Porque eu não vim chamar justos, mas pecadores.

Disse-lhe Jesus: Deixa de me tocar, porque ainda não subi ao Pai; mas vai a meus irmãos e dize-lhes que eu subo para meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus.

Alguns acreditam estar sozinhos nas horas amargas de suas vidas. Pensam que ninguém os ama e cuida deles. Mas Jesus, o Ser Angélico e Perfeito que recebeu do Pai Celeste a missão de governar a Terra está sempre presente, através de Seus prepostos, conhecidos por “anjos guardiões”, “espíritos protetores” ou uma infinidade de outros nomes. Ele chegou a afirmar que nenhuma de suas ovelhas se perderia.

O espírito Maria Dolores, pelas abençoadas mãos de Chico Xavier, revela esse zelo ao amigo que o traiu. Então vejamos:

“Senhor, onde estivestes? Mas Jesus Respondeu:

Não Maria, não fui ainda ao alto. Nem me elevei sequer um palmo a luz do firmamento. Quem ama não consegue achar o céu de um salto. Ao invés de subir aos altos esplendores, desci, mas desci muito aos reinos inferiores. Despertando no túmulo escutei os gritos de aflição de alguém que muito amei, e que muito amo ainda. Embora visse além a luz sempre mais linda, sentia nesse alguém um amado companheiro, em crises de tristeza e de loucura. Fui à sombra abismal para a grande procura. E ao reencontra-lo, amargurado e louco, a ponto de não mais me conhecer, demorei-me a afaga-lo, e pouco a pouco, consegui que ele enfim, pudesse adormecer.

Senhor? Interrogou Madalena. Quem é o amigo que te fez descer antes de procurar a Luz do Pai?

Mas Jesus replicou em voz clara e serena:

Maria, um amigo não esquece a dor de outro amigo que cai. Antes de me altear a celeste alegria, ao sol do mesmo amor a Deus em que te enlevas, vali-me após a cruz, das grandes horas mudas, e desci para as trevas, a fim de aliviar a imensa dor de Judas”.


HOJE SOBREVIVI À DESESPERANÇA


A desesperança pode incitar uma pessoa a pôr fim a sua existência corporal, por supor não lhe ser mais possível suportar o sofrimento físico e/ou moral, levando-a a concluir que só a morte física poderá liberta-la e alivia-la.

Nessa hora é indispensável buscar o amparo da família, dos amigos, dos templos religiosos ou mesmo de profissionais habilitados, assim logrando forças para enfrentar e superar a sua dor.

Esse movimento de buscar ajuda permite perceber que o socorro de que se precisa está a caminho, que não se está sozinho, que sempre haverá um cireneu para ajudá-lo a carregar a sua cruz.

Daí ser fundamental buscar ajuda, mesmo quando se é incompreendido entre os mais próximos, insistindo nessa procura até encontrar o colo de que necessita. Cada dia é um desafio a ser vencido.

Centrar no hoje as suas forças é atitude de sabedoria para a superação das dificuldades, pois o amanhã trará novos recursos para o enfrentamento dos problemas desse novo dia.

A estratégia é vencer a desesperança de hoje.

Para isso, é necessário algumas vezes realizar mudanças internas importantes nos hábitos, relacionamentos e/ou atividades profissionais.

Outra tática que poderá ajudar, é ocupar-se em ser útil a pessoas que vivenciam dores maiores, pois, servindo, pode-se esquecer ou pelo menos amenizar a própria dor.


HOMEM - O SER TRINO


Há uma questão importante a ponderar na hora do testemunho: é o modo de considerar a vida. Nesse sentido há duas visões conflitantes e antagônicas:

a visão materialista, que preconiza a extinção total do ser com a morte do corpo. Segundo essa abordagem, após o falecimento a criatura deixa de existir e nenhuma consequência lhe advirá ao ato do suicídio. Por essa abordagem, não vale a pena continuar sofrendo uma dor sem solução, sendo a dissolução do indivíduo no nada, uma solução;

a visão espirita que revela a sobrevivência do ser pensante ao aniquilamento da matéria, decorrendo daí um estado venturoso ou desditoso conforme tenha vivenciado ou não as leis divinas durante a sua vilegiatura carnal.

Para o Espiritismo o homem é o resultante da união do espírito ou alma (o ser inteligente), do corpo material (visível e palpável, porem sujeito ao desgaste e a morte) e do corpo fluídico, também denominado perispírito (corpo espiritual modelador do corpo material).

As comunicações dos denominados “mortos” em todas as épocas e locais do planeta, foram unanimes em sinalizar a continuação infinita da vida após a transição pela morte do corpo. Eles vieram demonstrar que ela apenas desveste a criatura desse envoltório grosseiro, permanecendo com o corpo sutil - o perispírito, que reproduz o estado ditoso ou inditoso da alma, conforme as ações praticadas durante sua existência.

Há que se salientar, que não sendo o homem o criador da vida, não tem ele o direito de dispor dela: “Só a Deus assiste esse direito” [5].

O ESPIRITISMO É O MAIOR ANTÍDOTO AO AUTOCÍDIO


“Ora, o verdadeiro espírita vê as coisas deste mundo de um ponto de vista tão elevado; elas lhe parecem tão pequenas, tão mesquinhas, a par do futuro que o aguarda; a vida se lhe mostra tão curta, tão fugaz, que, aos seus olhos, as tribulações não passam de incidentes desagradáveis, no curso de uma viagem. O que, em outro, produziria violenta emoção, mediocremente o afeta. Demais, ele sabe que as amarguras da vida são provas úteis ao seu adiantamento, se as sofrer sem murmurar, porque será recompensado na medida da coragem com que as houver suportado. Suas convicções lhe dão, assim, uma resignação que o preserva do desespero e, por conseguinte, de uma causa permanente de loucura e suicídio. Conhece também, pelo espetáculo que as comunicações com os Espíritos lhe proporcionam, qual a sorte dos que voluntariamente abreviam seus dias e esse quadro é bem de molde a fazê-lo refletir, tanto que a cifra muito considerável já ascende o número dos que foram detidos em meio desse declive funesto. Este é um dos resultados do Espiritismo. Riam quanto queiram os incrédulos. Desejo-lhes as consolações que ele prodigaliza a todos os que se hão dado ao trabalho de lhe sondar as misteriosas profundezas” [6].

Assim, a Doutrina Espírita, revelando a verdade sobre a razão da existência corporal e o destino nobre e feliz do homem após suportar suas provas e expiações, arma o homem da esperança [7] em um futuro melhor, se constituindo no “mais terrível adversário do materialismo” [8].


A CONSEQUÊNCIA DIRETA DO AUTOCÍDIO É A DECEPÇÃO


O impacto decorrente do suicídio repercute sobre o corpo espiritual impressionando dolorosamente a alma. Esse efeito é absolutamente particular a cada gênero de suicídio e pessoa, variando conforme as circunstâncias, modalidades, agravantes e atenuantes, o que só as Leis Cósmicas da Vida conseguem aferir.

“Muito diversas são as consequências do suicídio [9]”, explicaram à Allan Kardec os Benfeitores da Humanidade. Há, disseram, “uma consequência a que o suicida não pode escapar; é o desapontamento” [10].

“Alguns expiam a falta imediatamente, outros em nova existência, que será pior do que aquela cujo curso interromperam [11].”

“A observação, realmente, mostra que os efeitos do suicídio não são idênticos. Alguns há, porém, comuns a todos os casos de morte violenta e que são a consequência da interrupção brusca da vida. Há, primeiro, a persistência mais prolongada e tenaz do laço que une o Espírito ao corpo, por estar quase sempre esse laço na plenitude da sua força no momento em que é partido, ao passo que, no caso de morte natural, ele se enfraquece gradualmente e muitas vezes se desfaz antes que a vida se haja extinguido completamente” [12].

O sofrimento decorrente do autocídio e/ou de qualquer outro ato contrário às Divinas Leis que regem o Universo embora de longo curso não é permanente, sendo superado tão logo haja a reparação do dano causado a si mesmo ou a outrem, pois Deus, pai amoroso, infinitamente justo e misericordioso, criou o ser espiritual dotando-o da imortalidade e destinando-o à felicidade e à perfeição.

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