Não perderás tempo, reclamando contra a vida.

Na hipótese de que te empenhes realmente pela aquisição do conhecimento espírita, reflete na lei da reencarnação.

És um espírito eterno envergando temporária forma física, à maneira de um servidor vestindo uniforme de trabalho, francamente deteriorável e passageiro.

Observa os próprios hábitos e tendências e perceberás o que foste nas existências passadas.

Analisa os que te rodeiam, no círculo doméstico-social e identificarás com quem te comprometeste para sanar os próprios débitos ou traçar a própria senda de elevação.

Estuda o quadro que te emoldura as atividades e anotarás de que ponto deves partir em demanda à melhoria.

Sobretudo, é preciso ponderar que se ninguém nasce para o mal, muito menos renascerá para reconstruí-lo ou reafirmá-lo. Um aluno repete o currículo de lições no objetivo de ganhar a frente, não para acomodar-se à retaguarda.

Convence-te de que retornamos à Terra com o fim de ampliar os valores do bem, cada vez mais.

Indispensável corrigir-nos naquilo que erramos.

Replantar dignamente a leira do destino que relegamos outrora ao relaxamento.

Levantar aqueles que impelimos à queda. Amar os que aborrecemos.

Acender alegria nos corações que encharcamos de lágrimas.

Estás hoje no lugar e na posição em que podes claramente doar à vida, na pessoa dos outros, tudo aquilo que és capaz de sentir, pensar, falar ou fazer de melhor.

Autor: Emmanuel (Espírito)

Médium: Francisco Cândido Xavier

Livro: No Portal da Luz - Cap. Perante a Reencarnação

O Lar não é somente o santuário de alvenaria, onde reconfortas o corpo. É também o reino das almas, onde o teu coração reclama a bênção da paz e a alegria de viver. É o templo, em cujo altar vivo o Senhor nos situa o espírito para o aprendizado na escola humana.

Aprende a servir dentro dele, a fim de que possas representar dignamente o papel que te cabe no mundo.

Semeia, aí dentro, no recinto abençoado que te viu crescer, a bondade e o entendimento.

Quando não fores compreendido por aqueles que te cercam nos laços da consanguinidade, cultiva o auxílio silencioso, em benefício dos que te rodeiam.

Em casa, quase sempre, aliam-se a nós os amores mais santos, construindo-nos o paraíso mais doce, e prendem-se ao nosso temporário destino na Terra as aversões mais profundas em tempestades do sentimento.

Sob o véu misericordioso da reencarnação, amigos e adversários aí se congregam, disputando o prêmio do aprimoramento espiritual.

Em razão disso, e possível sofras, no campo familiar os tormentos mais rudes, entretanto, não te desesperes, nem te desanimes.

Ilhado pelas incompreensões perdoa e serve sem descansar.

Fustigado pela discórdia, não te confies à tristeza destrutiva.

Regozija-te com a possibilidade de recapitular pequeninas experiências, lutando pela própria regeneração,

Se compulsoriamente afastado daqueles que amas em razão da rebeldia deles mesmos, ampara com as vibrações do pensamento amigo aqueles que te expulsam.

Um dia, a luz brilhará sobre a mente crepuscular dos nossos companheiros infelizes, assim como o dia volta a raiar, ao fim de cada noite.

Jamais te esqueças de que o Lar é uma Bênção de Deus na Terra.

Não grites, nem te revoltes, dentro dele. Não te entregues à crueldade ou ao desalento, entre as suas fronteiras de amor.

Lembra-te de que a tua casa é bendito refúgio do teu pão, dos teus sonhos e do teu estímulo ao trabalho renovador.

No Lar, temos o nosso mais valioso curso de abnegação e fraternidade e, quando praticarmos o ensinamento do amor puro, com quem nos partilha a mesa e se entrelaça conosco, através do calor do mesmo sangue, então estaremos inteiramente habilitados para seguir com Jesus, no apostolado do bem à humanidade inteira.

Autor: Néio Lucio (Espírito)

Médium: Francisco Cândido Xavier

Livro: Esperança e Vida. Lição nº 10. Página 30

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Nem sempre amadurecido para os embates existenciais, o homem tende, muitas vezes, a empreender fugas dos conflitos que o visitam, buscando aditivos para furtar-se à ocorrência dos mesmos.

Amedrontado diante do sofrimento, opta por negar a necessidade das mudanças interiores, evadindo-se por mecanismos vários, na tentativa de blindar-se das ocorrências inditosas.

Visitado pelas decepções, foge para o álcool.

Atormentado pelos conflitos íntimos, elege as drogas ilícitas para anestesiar a consciência.

Sacudido pelos conflitos familiares, aliena-se na glutonaria, com que desfigura o corpo e antecipa a morte pelos excessos.

Acovardado para encarar de frente as dificuldades de relacionamentos conturbados e difíceis, mergulha enlouquecido no trabalho, esgotando-se precocemente e arruinando a alegria de viver.

A falta de meditação e de silêncio interior tem sido fatores que predispõe o ser às fugas psicológicas várias, impedindo que a criatura desenvolva musculatura emocional para os enfrentamentos necessários ao seu processo de maturidade psicológica, única via pela qual aprende a conviver nos meios adversos e entre pessoas diferentes, sem conflitar consigo mesmo.

Os embates são necessários para maturação do ser em trânsito pelos infinitos caminhos da evolução, e as lutas aprimoram o Espírito para superação de seus limites, a caminho da plenitude.

As evasivas apenas adiam o problema, o tornando em muitas circunstâncias mais difícil e complicado, exigindo mais energia e disposição para sua superação.

Fundamental que o ser se conheça, avaliando suas ferramentas de lutas evolutivas e se predispondo às análises de cada situação posta pela vida diante de seus passos.

Após, busque na oração a necessária inspiração para enfrentamento do problema, avançando amparado na certeza da própria imortalidade, sabedor antecipado que tudo passa e que cada noite escura terá que ceder espaço a um novo amanhecer.

Aprenderá a ceder para vencer. Admitirá que muitos desafios são resgates de equívocos pretéritos, hoje exigindo reparação.

Adversários são vítimas de ontem, algozes são afeições tripudiadas de maneira leviana e cruel, cobrando justa reparação na atualidade.

Sabendo-se devedor, não adotará descaminhos que o isentem das dívidas contraídas. Buscando amadurecer para a vida, selecionará os recursos que tiver disponível dentro de si para equacionar da melhor forma possível o conflito à sua frente.

Em lugar do ódio, adotará o perdão.

Esquecerá a revanche criminosa para dilatar laços de amizade.

Abandonará o punhal com o qual silenciou adversários outrora, distribuindo flores de paz e concórdia entre desafetos.

Em vez de calúnia ou infâmia, utilizará o verbo para edificar e esclarecer, aceitando a própria imaturidade como desafio a ser superado a imenso esforço próprio.

Somente assim singrará o oceano largo da existência entre tempestades e ventos destruidores, aportando a frágil embarcação dos sentimentos no porto seguro da maturidade espiritual, guiado pela fé em Deus e pela bússola do Cristo, a nos amparar em todos os lances aflitivos da travessia pelos áridos caminhos do mundo.

Autora: Marta (Espírito)

Médium: Marcel Cadidé Mariano

Centro Espírita Caminho da Redenção/Mansão do Caminho

Salvador, 02.06.2020

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